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sexta-feira, 2 de maio de 2014

AS PRINCIPAIS MUDANÇAS INSTITUCIONAIS OCORRIDAS NO ESTADO BRASILEIRO DESDE O PERÍODO VARGAS




Década
Mudanças
De 30
·         Getúlio Vargas, por meio de uma ditadura, começa a aparelhar o Estado brasileiro para intervir na regulação da vida econômica e social dos brasileiros e promover o desenvolvimento nacional;
·          Criação do Estado de bem-estar social por meio de políticas públicas de educação, saúde, previdência, habitação, etc.; concomitantemente à Promoção da industrialização do país;
·         Estado Desenvolvimentista com incorporação das massas no processo político;
·         Políticas Sociais voltadas para a classe trabalhadora, em 1932: Regulação da jornada de trabalho, do trabalho feminino e de menores; em 1940: Instituição do salário mínimo;
·         Burocracia do Estado na elaboração das políticas econômicas e sociais;
·         Inovação Legislativa. Inovação institucional. Formulação e implementação de políticas econômicas. Formulação e implementação de políticas sociais;
·         Criação de departamentos: Departamento Nacional do Trabalho, Departamento Nacional de seguros Privados e Capitalização e o Departamento Nacional de Produção Mineral, Instituto nacional do Cacau da Bahia, Departamento Nacional do Café e o Instituto Nacional de Açúcar e Álcool;
·         Criação e promulgação dos códigos das águas, de minas, de caça e pesca e de florestas;
·         Criação do Ministério de Educação e Saúde Pública;
·         Reforma da legislação sindical de 1907, modificação da lei de férias e criação da carteira de trabalho;
·         Edição do código de menores;
·         Fundação do primeiro Instituto de Aposentadoria e Pensão (IAP);
·         Criação do Conselho Federal do Serviço Público.

De 40
·         Criação de diversas comissões e conselhos: Conselho Nacional do Petróleo e Conselho de Imigração e Colonização, Comissão executiva do Plano Siderúrgico Nacional, Comissão Nacional de Ferrovias, Comissão Nacional de Combustíveis e Lubrificantes e a comissão do Vale do Rio Doce;
·         Criação do Instituto Nacional do Mate, Instituto Nacional do Pinho e o Instituto Nacional do Sal;
·         Criação de empresas Públicas: Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), Banco de Crédito da Borracha, Fábrica Nacional de motores;
·         Criação dos IAPs dos Bancários, Comerciários, Industriários, Empregados dos Transportes de Cargas, e dos servidores Públicos;
·         Lei do salário mínino e promulgação da CLT.

De 50
·         Criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE);
·         Fundação da Petrobras;
·         Instalação de grandes empresas automobilísticas internacionais;
·         Construção de Brasília.
De 60
·         Governo Militar instituído;
·         Criação do Banco Nacional de Habitação (BNH);
·         Unificação dos IAPs no Instituto Nacional de Previdência Social;
·         Criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS);
·         Lançamento do MOBRAL;
·         Criação do FUNRURAL;
·         Elaboração dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs);
·         Novas empresas estatais: Embraer, Telebrás e Embratel, Itaipu e Embrapa.

De 70, 80, 90 até os dias atuais
·         Estagflação: estagnação econômica acompanhada de inflação;
·         Renascimento do ideário liberal, chamado de Neoliberalismo;
·         Agenda neoliberal: desregulamentação, privatizações e abertura dos mercados;
·         Abertura dos mercados nacionais para a concorrência internacional;
·         Intervenção específica do Estado em determinadas esferas das relações econômicas: mercado de trabalho, mercado de capitais e mercado de bens e serviços;
·         Globalização: implementação das reformas liberais e mudanças tecnológicas;
·         Privatizações do setor de telefonia;
·         Aumento das disparidades de renda entre ricos e pobres;
·         Manutenção da política social com direitos de cidadania e instrumentos de promoção da equidade.


AS DIFERENÇAS ENTRE AS VISÕES DE ESTADO DE ADAM SMITH, SCHUMPETER E KEYNES



AS DIFERENÇAS ENTRE AS VISÕES DE ESTADO DE ADAM SMITH,
 SCHUMPETER E KEYNES


Visões de Estado




Adam Smith
(1723-1790)

Segundo Smith o motor do crescimento econômico é a divisão de trabalho. Para ele, o mercado deve funcionar com a mínima interferência do estado e para isso, atribui ao estado os defeitos da prodigalidade e do mau emprego dos capitais. Sua teoria rejeita qualquer papel ativo do Estado no processo de acumulação de capital, principalmente na cobrança de receitas por meio de impostos sobre os rendimentos privados, com o objetivo de fazer despesas que se substituam às despesas dos particulares. Smith, como pai do liberalismo que é, confia no individualismo, nas virtudes do sistema de liberdade natural, considera mesmo que, certos vícios privados constituem virtudes públicas. O Estado devia se limitar as atividades de defesa nacional, segurança interna, pois que pela sua natureza o privado não podia construir.
O papel do estado se situa aqui, essencialmente a dois domínios essenciais: criar condições para que o mercado possa funcionar e fornecer bens que o mercado não pode produzir.




 Joseph Schumpeter
(1883-1950)

Para explicar a dinâmica econômica do sistema, Schumpeter criou a expressão “destruição criadora”. Com enfoque na esfera política, além da econômica,  procurou explicar a coexistência entre democracia e economia de mercado nas modernas sociedades capitalistas. Ao invés de conceber a democracia como interesse coletivo, Schumpeter descreveu-a simplesmente como um sistema de competição entre elites por via eleitoral, essa teoria também ficou conhecida como teoria elitista da democracia. Entendida como competição pela liderança, requeria a livre competição pelo dos eleitores, supondo que o povo elegeria e não elegeria segundo sua vontade. Nessa dinâmica coexistia com outros fatores preponderantes, a possibilidade da minoria vir a se tornar maioria e ocupar o governo.




John Maynard Keynes
(1883-1946)


Para Keynes, o Estado deveria desempenhar o papel de agente anticíclico nos períodos recessivos, induzindo os investimentos privados por meio da redução das taxas básicas de juros e aumentando o gasto público sob a forma de investimentos diretos em infraestrutura e obras públicas. Segundo ele, a intervenção política nos mercados não deveria se limitar à ação dos Estados nacionais, mas deveria levar à criação de instituições internacionais voltadas a coordenação monetária e macroeconômica entre diferentes países, o que deu origem ao que conhecemos como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI).



COMO AS POLÍTICAS DE PROTEÇÃO SOCIAL FORAM VISTAS DESDE O LIBERALISMO ATÉ O ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL.



Até a década de 70 a pobreza, as desigualdades e a exclusão social eram consideradas dependentes do crescimento econômico. A instituição de “sistemas” de proteção social só veio a ocorrer no final do século XIX, pois neste período as Leis dos Pobres[1] foram abolidas, e concomitantemente estavam sendo difundidas, no mundo capitalista, as ideias liberais.
Pensadores como Adam Smith e David Ricardo introduziram a tese de bem-estar coletivo: cada indivíduo buscaria, através de trocas no mercado livre e competitivo, não só os meios para sua sobrevivência, mais quaisquer bens ou serviços que desejasse. Acreditavam que as ações estatais de proteção tenderiam a inibir o interesse dos indivíduos para o trabalho. Afinal, para o pensamento liberal, a liberdade individual consistia que os indivíduos deveriam ser livres para exercer suas escolhas, ao mesmo tempo, que deveriam pagar o preço por elas.
            A partir das lutas operárias pela redução da jornada de trabalho ressurgem, no final do século XX, os sistemas de proteção social.  Buscando conter a expansão do movimento operário, bem como o amadurecimento do capitalismo industrial, a Alemanha desenvolveu os “seguros sociais” para atender seus trabalhadores das indústrias, era financiado pelo Estado, empregadores e pelos próprios trabalhadores. Um sistema baseado no mérito, era excludente e na ausência do trabalhador, por morte ou desemprego, deixava os dependentes desamparados.
             O Estado de Bem-Estar Social tem origem no Plano Beveridge[2] (governo britânico) e para Santos
pode ser definido como aquele que assume a proteção social de todos os cidadãos, patrocinando ou regulando fortemente sistemas nacionais de Saúde, Educação, Habitação, Previdência e Assistência Social; normatizando relações de trabalho e salários; e garantindo a renda, em caso de desemprego. (p.36).

            As bases do Estado de Bem-Estar Social estão alicerçadas no Keynesianismo e no Fordismo. Cujo planejamento econômico partia do Estado, que deveria investir na produção para garantir o pleno emprego. De acordo com a pesquisa de Esping-Andersen pode ser: Universalista, Corporativo e Residual, recaindo sobre cada modelo o grau de participação do Estado que implicaria nas despesas com a seguridade social.


[1] A Lei dos Pobres foi editada sob o reinado de Elizabeth I.
[2] Baseado na teoria do economista John Maynard Keynes.